Shopping Mega Polo Moda tem crescimento recorde em 2017

Em entrevista exclusiva ao InfoModa, Evandro Lima, superintendente do Mega Polo Moda, diz que o shopping de moda atacadista teve crescimento recorde nas vendas, já no primeiro semestre deste ano

Por Marília Alencar
Fotos: Gabriel Cappelletti / Divulgação

As perspectivas do mercado da moda por atacado e varejo no Brasil parecem mesmo superar a crise econômica do país. Segundo uma pesquisa realizada pela Serasa Experian, em maio de 2017, grande parte das empresas atacadistas espera encerrar o ano com ganhos acima da inflação em termos reais.  Prova disso, é o Mega Polo Moda. Este ano, o maior shopping de moda atacadista da América Latina, localizado em um bairro popular de compras de São Paulo, o Brás, resolveu modificar a sua estratégia de negócio. Saindo de um percentual alto de investimento institucional, o centro de moda apostou mais no gerenciamento do relacionamento com a carteira de lojistas e clientes.

De maneira personalizada e diferenciada de outros polos de moda do Brasil, o Mega Polo agrega valor à informação para o negócio dos seus lojistas. Além da infraestrutura completa do polo, guias de compras, representantes e consumidores podem usufruir de programas de fidelidade, comissão, promoções e prêmios. “Procuramos atraí-los com o conjunto de vantagens que oferecemos. Junto com a proposta de reunir em único espaço hotel, estacionamento, mix de lojas, conforto e segurança, damos aos clientes o custo benefício”, afirmou Evandro Lima, superintendente do shopping. 

Na última edição do Mega Fashion Week – MFW, evento produzido pelo shopping, guias e clientes exclusivos aproveitaram promoções para hospedagem, transporte e alimentação. “Com essas vantagens, fidelizamos o cliente e, ao mesmo tempo, damos benefícios ao comprarem em nossas lojas”, completou o empresário, que junto com parceiros e lojistas, apostou na ideia. 

Para entender melhor o cenário atual da moda e do atacado no país, suas expectativas e táticas para driblar a crise econômica, conversamos com Evandro Lima. O empresário atual há 20 anos no ramo de atacado de moda e, hoje, é superintendente do Mega Polo Moda e consultor da área no desenvolvimento de lojas e shoppings do Brasil. Confira a entrevista, a seguir:

MFW23

MFW23

EL – O Mega Polo tem 12 anos e, como sabemos, as estratégias envelhecem, caem na rotina e não causam mais um impacto necessário para as vendas e negócios. A grande sacada foi fazer o evento para os melhores clientes do shopping, em uma data onde eles pudessem aproveitar tudo que iríamos oferecer. Domingo não tem nada funcionando dentro de São Paulo no setor de atacado. Seria um dia exclusivo, sem concorrentes. Vendemos a ideia para todos os públicos envolvidos: lojistas internos, parceiros, guias de compras, representantes e, por fim, para os clientes. A proposta inicial era convidar cerca de 500 dos nossos melhores clientes, mas ela foi tão bem aceita, que tivemos a presença de 2500 clientes, só no primeiro dia do evento. Passamos de R$ 10 milhões em vendas. Cerca de 600 clientes inativos voltaram a comprar e conquistamos 250 novos clientes. Com o MFW, o shopping teve recorde em vendas na sua história de atuação. Fechamos a semana dos desfiles com quase R$ 23 milhões em vendas. O feedback de todos os envolvidos foi positivo e vamos repetir a ideia. 

IMQuais as expectativas para o segundo semestre? Como vocês esperam performar em 2018?

EL – O evento já teve um aumento significativo para as vendas do shopping. Vendemos 70% a mais do que o último MFW, comparando a mesma época do ano passado. Isso já reflete um crescimento de 4% no segundo semestre. Vamos repetir o MFW de alto verão e esperamos ser um dos melhores eventos, pois contamos com a força de compras para o fim do ano. Assim, nossa expectativa é ter, comparado ao ano passado, um aumento de 7% a 9% de crescimento. Para 2018, pretendemos zerar nossa vacância atual e buscar crescimento de faturamento perto 3%. Lembrando que nosso foco é investir diretamente no cliente como estratégia de negócio.

Evandro Lima, superintendente do Mega Polo Moda

Evandro Lima, superintendente do Mega Polo Moda

IM – O mundo do atacado entrou na tendência fast-fashion. Você acredita que isso se deve ao avanço digital e a mudança de comportamento do público da geração millenium, que procura incansavelmente por novidades? Como os shoppings se adaptaram a esse cenário e a essa geração?

EL – O mercado B2B é diferente do varejo. Estamos reagindo a proposta do mercado fast-fashion de maneira parecida, mas o impacto ainda é menor para o lojista atacadista. Para atrair mais clientes, nossos lojistas começaram a introduzir novidades nas vitrines mais rapidamente. São cerca de 20 a 40 modelos novos por semana. Por esse motivo, hoje, o cliente do atacado compra muito menos e vem em busca de novidade mais vezes, justamente para agradar o público que compra no varejo e tem um acesso maior a informação e tendências da moda. Acredito que esse fato alterou o comportamento de compra do consumidor e, de certa forma, nos afetou.

IM Atualmente, a tecnologia é aliada forte do comércio atacadista. Como você enxerga isso?

EL – Sim, mas enxergo com muito cuidado. A tecnologia e o mundo digital está um pouco na contramão do mercado B2B, do shopping como espaço físico e do fluxo do público. Mas pode ser aliada, pois usamos para atingir os clientes nas mídias sociais, por exemplo. Em contrapartida, o risco de uma loja física deixar de existir com a abertura de um e-commerce é muito grande. Cada venda feita pelo Whatsapp é um risco para a venda no shopping. Por isso damos palestras para nossos lojistas saberem como aliar vendas e tecnologia da maneira mais correta e assertiva possível. Nosso foco sempre é trazer o cliente para o shopping, precisamos dessa geração de fluxo. 

IM Como vocês estão driblando a crise econômica do país? 

EL – Não existe nada no mundo que não deixe uma lição. Qualquer crise vem para ensinar. Depende muito do lado da crise que você quer estar: do lado da solução ou do problema. Optamos por achar a solução. Não estar parado na zona de conforto, encarar, inovar, buscar fortalecimento em novas parcerias, novas ideias e acreditar no potencial do seu negócio foi a solução do shopping. Assim, a crise só te ensina e fortalece. Se ficar do lado do problema, você morre com ela.

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